Exposição de Nísia Floresta
Uma mulher à frente de seu tempo. Educadora, abolicionista, escritora. A Fundação Oswaldo Lima em parceria com o Banco do Brasil, homenageia esta mulher a partir do dia 19 até 28.
FUNDAÇAO CULTURAL JORNALISTA OSWALDO LIMA
25/09/2007
Denise Ferreira
Palácio da Cultura expõe mostra de
Nísia Floresta até dia 28
O Palácio da Cultura abriga do dia 19 a 28 a mostra Nísia Floresta – Uma mulher à frente de seu tempo. A abertura foi feita pela juíza auditora da Justiça Militar Federal, Telma Angélica Figueiredo, que chegou recentemente do Timor Leste onde ficou por um ano, exercendo o trabalho de formação dos juízes, em missão de cooperação entre o Ministério de Relações Exteriores e Agência de Desenvolvimento da ONU. Condecorada pelo Superior Tribunal Militar, pelo Exército Brasileiro e pela Força Aérea Brasileira, a juíza falará sobre sua atuação naquele país e sobre suas observações com relação à cultura relativa às mulheres estrangeiras.
Promovida pelo Banco do Brasil em parceria com a Prefeitura -através da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima - a mostra integra o Projeto Memória realizado pela Fundação Banco do Brasil e Petrobrás, que objetiva resgatar, difundir e preservar a cultura brasileira, homenageando personalidades que ajudaram a construir a história do país. Este ano, a educadora e escritora Nísia Floresta, também a primeira brasileira a se manifestar publicamente contra a opressão vivenciada pelas mulheres é a grande homenageada.
Instalada no hall de entrada do Palácio a exposição conta com banners onde se poderá saber da história de vida e luta de Nísia através de uma linha cronológica. A visitação está aberta ao público das 10 até as 17 horas, diariamente. Também estão convidadas todas as escolas da rede pública e privada.
VIDA DE LUTAS - Nísia Floresta nasceu em Papari, no Rio Grande do Norte, em 1810. Filha de um advogado português e de mãe dona-de-casa que pertencia à família importante, desde cedo defendeu os direitos femininos a partir do seu próprio, pois forçada a casar-se com apenas 13 anos, acabou abandonando o marido e voltando a viver com sua família. Aos 22, já havia escrito seu primeiro livro “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, passando logo a ficar conhecida pelo pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta.
Após morar com a família em muitas cidades, conhece o segundo marido e pais de seus filhos, Manuel Augusto em Recife. Publicando textos na imprensa brasileira, escreveu sobre temas importantes como a escravidão, o sofrimento do índio e as belezas do Brasil mas principalmente sobre a opressão vivida pelas mulheres dentro de seus lares. Nísia teve grande empenho na luta em defesa da educação igualitária entre os sexos e por isso, acabou se tornando a precursora dos movimentos feministas. Além deste lado, Nísia Floresta teve forte atuação como sweducadora, fundando o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, um dos primeiros a ter aulas de francês, italiano e inglês, ensinando ainda história, geografia e literatura dos países estudados.
Abolicionista, Nísia se alia aos liberais na luta contra a escravidão junto a outras poucas mulheres, como a escritora negra maranhense, Maria Firmina dos Reis. Em 1849, Nísia embarca para a Europa onde vive os últimos 28 anos de sua vida escrevendo livros e tendo sua obra consagrada. Seu nacionalismo torna-se sua principal referência assinando seus textos como “Brasileira Augusta” ou “Uma Brasileira”. Em abril de 1885, morre na França, deixando um legado de 15 obras publicadas e tantas outras vitórias. A cidade onde nasceu muda seu nome para Nísia Floresta e recebe seus restos mortais em 1954.